sábado, 5 de dezembro de 2009

Pai natal, mãe consciência...


Dezembro, mês do natal, uma notícia bombástica!

O pai natal existe e reencontrei-o após dezoito longos anos de ausência.
Deixei de acreditar nele aos sete anos (sim sou crente, burro e distraído), quando em plena sala de aula a minha professora primária pergunta: aqui todos sabem quem é o pai natal, certo? Quando alguém coloca um "todos sabem e certo" na mesma questão, parto do principio que ou é retórica ou a resposta é tão óbvia que fical mal dizer "não, não sei"! Enquanto eu disfarçava o embaraço, os meus colegas riam com a obviedade da resposta e eu congelei porque era o único a não saber, felizmente, responderam em uníssono, são os nossos pais! Embaracei, congelei, petrifiquei, já não sei porque ordem! Fiquei lívido, eu e o mundo perdemos um pouco de cor nesse dia.

Peço imensa desculpa a todas as minhas ex-namoradas, mas este sim foi o maior desgosto amoroso da minha vida, o velho já fazia parte da família!
(Esta frase vai provocar celeuma!!!)

O natal para mim é, provavelmente, a quadra mais agridoce de todos os episódios da religião cristã. Transformado por décadas e décadas de marketing, ainda que não definido por este termo, o natal tornou-se numa época de gastos exorbitantes muitos deles, a maior parte, desnecessários e futeis, um azedume.
Por outro lado, vemos acções de solidariedade desdobrarem-se tal qual rebuçados de fruta, tão doces.

Crescemos a pensar que se não nos portarmos bem, chega o natal e nada, o gordo (estou a falar do pai natal, o fernando mendes não é para aqui chamado!), pega no livro das vergonhas e descobre que não mexemos o cu o ano todo. E se não fizermos realmente algo para mudar o puto do carro, ou (salvo-seja) da boneca, bem que fica na loja!
Tão bora compensar 335 dias nos 30 que faltam deste mês, limpavamos o quarto todos os dias, os dentes eram lavados três vezes ao dia, e na catequese... uns anjinhos.

Crescemos e é o que se vê, andamos a passear 11 meses, chega o natal e somos bons samaritanos. De repente há autocolantes para ajudar esta instituição, relógios para aquela, mealheiros para a outra, pantufas para as descalças, t-shirts para as desnudas e a gente participa, contribui uma e outra vez, e acho muito bem.
Mas porra, e o resto do ano?

O paralelismo é inevitável, somos um bando de miúdos graúdos que chega a dezembro descobre que nada fez de valor em 90% do ano e para a consciência não pesar tenta compensar nos restantes 10%.

E agora vem a parte hilariante, o pai natal existe chama-se consciência!
Pai natal na infância, consciência na maioridade, meia idade, terceira idade e por aí em diante até à extrema unção! Portem-se bem ou então... os dois podem ser muito pesados!!!

Esta é a minha explicação para a geração espontânea, tal qual cogumelos, de quiosques de donativos nos grandes centros comerciais, nas ruas, nas igrejas; para a desmultiplicação de diversos produtos cuja uma percentagem reverte para idosos e crianças orfãs , deficientes e toxicodependentes; e até para o chamado natal dos hospitais.
Tudo muito lindo mas efémero, passa o natal vão-se as iniciativas, ficam os idosos sozinhos, as crianças sem apoio, os deficientes sem infraestrutuas e os toxicodependentes encostados numa esquina, bem escondidos para não nos lembrarem que o mundo não é perfeito. E quanto aos hospitais, julgo, continuam a ter doentes, de outro modo não era pago para lá estar!

Gostava que desse para trocar, termos o mês de dezembro para fazermos os maiores disparates, não ligarmos puto a coisa nenhuma e não fazermos a ponta de um corno por nada! Depois o resto do ano estavamos despertos para os problemas que nos rodeiam, ou pelo menos não os ignoravamos.
É uma pena o "pai natal" só pesar uma vez por ano!

Pobre, asseado e irritado.

1 comentário:

  1. Boas, mais uma vez, um comentario meu :p

    Ora bom, ha uma coisa no Natal que me intriga profundamente: por que razao se oferecem presentes no dia/noite de Natal? Mas afinal de contas, nao foi na Epifania, o tao afamado dia 6 de Janeiro de todos os santos anos, que os reis magos ofereceram prendas ao menino Jesus? Se assim foi, agora deveria ser também!! Em Espanha cumpre-se essa tradição! Porque nao se cumpre em Portugal? É mesmo povinho: apressados, tesos e violadores da "lei", se assim lhe poderei chamar, sim porque o Natal, diga-se o que se disser, nao é mais do que uma época religiosa!

    É só o que tenho pra dizer...

    Elias Moreira.

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